O jornalista Carlos Neves de Araújo, trabalhou durante 17 anos no jornal Alto Madeira, atuando como repórter-redator e editor de esportes, repórter-redator de política;editor-chefe e diretor de redação.
ENTREVISTA
Época da máquina de escrever
ENTREVISTA
Época da máquina de escrever
BLOG - Como era a rotina da redação do jornal Alto Madeira na época em que os textos jornalísticos eram produzidos na máquina de escrever?
CN – Era amigável. Muitas vezes, quase que diariamente, um repórter precisava esperar o outro (repórter) terminar o próprio trabalho para começar o seu. Não havia tanta máquina de escrever à disposição de todos os integrantes da redação.
BLOG - Quantos textos jornalísticos, em média, cada jornalista produzia na época da máquina de escrever?
CN – Olha. Quem era repórter-redator (a grande maioria era isso mesmo) produzia até três textos de 30 linhas. O material era passado para o copidesque corrigir e passar para o editor de cada setor.
BLOG - Quanto tempo, em média, era necessário para a execução de todas as tarefas realizadas na redação?
CN – Apenas um período: manhã ou à tarde. Isso para o repórter-redator, já que o fechamento da página era de responsabilidade do editor.
BLOG - Em média, quantas horas eram necessárias para a produção de cada edição do jornal (do início do trabalho até o fim da impressão)?
CN – O dia inteiro mais um pouquinho da noite. O jornal era bem atualizado.
BLOG - Como eram realizadas as pesquisas antes da chegada da Internet, na redação do jornal Alto Madeira?
CN – Livros, documentos, jornais de outros estados e até em conversas com outras pessoas do meio jornalístico ou de conhecimento do assunto pesquisado.
BLOG - De que forma chegavam às informações nas redações, antes da utilização da Internet?
CN – Por meio de rádios, revistas, jornais de outros estados e documentos diversos.
BLOG - Em média, quantas horas cada jornalista trabalha diariamente antes da instalação do computador na redação do jornal Alto Madeira ?
CN – No Alto Madeira, sempre valeu-se de um período: manhã ao à tarde. Isso para o repórter-redator. Editor de setor ou editor-chefe, é claro, o horário modificava bastante.
Depois da chegada do computador na redação
BLOG - Em que mês e ano começou o processo de informatização da redação do jornal Alto Madeira?
CN – Não sei precisar. Mas foi no início da década de 90.
BLOG - Houve resistência por parte dos profissionais, com relação a utilização do computador, nas redações?
CN – Claro. Qualquer inovação vem acompanhada de resistência. O Euro Tourinho (Diretor Geral e o maior repórter – em visão jornalística – de Rondônia) até hoje usa a velha máquina de escrever. Ainda não adotou o microcomputador.
BLOG - Qual foi o primeiro setor a receber computadores na redação do jornal Alto Madeira?
CN – O comercial. A redação, por ser maior e contar com maior número de funcionários, ficou para depois.
BLOG - A instalação do computador na redação do jornal Alto Madeira diminui a quantidade de horas necessárias para a execução de todas as tarefas realizadas na redação?
CN – Não. Modificou sim para o setor gráfico, pois, aos poucos, foi diminuindo a digitação de textos produzidos pelo setor de jornalismo.
BLOG -Os jornalistas, diagramadores e repórteres fotográficos fizeram algum curso na área de informática, antes da utilização do computador?
CN – Sim. No Alto Madeira, foi firmado convênio com o Sesc e dado o curso profissionalizantes a todos os integrantes da redação.
BLOG - Quais as vantagens e desvantagens percebidas após a instalação de computadores na redação do jornal Alto Madeira?
CN – Várias vantagens. A agilidade na confecção dos textos. Em seguida, a melhora para se revisar e, por fim, a edição de páginas. Tudo ficou direto na redação. Antes tinha que passar pelo setor de montagem (gráfica) até a imprensa do jornal.
BLOG - Pode-se dizer que o computador revolucionou o processo de produção na redação do jornal e trabalho do jornalista?
CN – Em termo. Tem que se observar outros aspectos. Não foi apenas a redação que foi informatizada. Os demais setores do jornal também receberam o mesmo tratamento na evolução tecnológica. A produção da redação independe de computador, mas do raciocínio e do material humano de boa qualidade.
BLOG - Quanto tempo depois do início da informatização, a Internet passou a ser utilizada na redação do jornal Alto Madeira?
CN – No Alto Madeira, a informatização e a internet chegaram juntas. Perdeu-se o trabalho do telex um pouco do fax.
BLOG - Quanto tempo, em média, foi necessário para você se adaptar a utilização do computador, na produção de textos jornalísticos?
CN – Foi rápido. Demorou mais para o pessoal da digitação de artigos de colaboradores e até páginas sociais, já que alguns desses jornalistas ou não não trabalhavam no jornal. Apenas encaminhavam o material para publicação nas edições.
BLOG - Com relação ao ambiente de trabalho (a redação), o que mudou com a chegada do computador?
CN – No início, nada. A amizade perdurou forte. Uns continuavam esperando outros (início e conclusão do trabalho) para a utilização do computador. Depois, a amizade foi ficando mais distante, já que os textos poderiam ser feitos em outros locais e chegavam à redação em disquete ou pela internet. Hoje, permanece o mesmo, mas com maior intensidade à utilização da internet.
BLOG - Qual a principal dificuldade após a retirada da máquina de escrever da redação do jornal Alto Madeira?
CN – A adaptação ou novo sistema de trabalho.
BLOG - Com a chegada do computador na redação do jornal Alto Madeira ocorreu uma redução na jornada de trabalho dos jornalistas?
CN - Não. Repito, no Alto Madeira sempre se trabalhou em duas equipes: manhã e tarde.
BLOG - Você lembra de alguma história engraçada acontecida após a chegada do computador na redação do jornal Alto Madeira?
CN – Não. Os fatos engraçados são originados por outros motivos (tabalho de campo, falta de conhecimento com termos polícias, políticos, esportivos e outros). Não presenciei fatos engraçados pela chegada da máquina computador na redação.
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