Ciro Pinheiro segurando a coluna social do jornal Alto Madeira feita por ele em 1986
Ciro Pinheiro é um cearense, com 46 anos de profissão, 42 anos em Porto Velho, como redator e colunista do jornal Alto Madeira. Ciro passou por diversas fases do jornal Alto Madeira e explicou que está todo este tempo porque pegou amor pelo trabalho e independente de fases ruins continua e continuará firme, porque o jornal faz parte de sua vida. Ele manda uma mensagem para as pessoas que estão ingressando na profissão de jornalista: a receita básica é: tem que fazer o que gosta e ter amor no que faz.ENTREVISTA
Época da máquina de escrever
BLOG- Como era a rotina da redação do jornal Alto Madeira na época em que os textos jornalísticos eram produzidos na máquina de escrever?
CIRO– Tudo era diferente, a começar pela quantidade de papel. Era dada muita importância à figura do copidesque e nada descia para as oficinas (era assim chamado o setor de composição e impressão do jornal) sem passar pela revisão manual e muitas vezes pelo copidesque. Como uma maquina datilográfica era bem mais barata do que um computador, não havia falta de máquina como agora, que são poucos nos computadores na redação. O barulho dos teclados davam um toque original à redação, hoje mais silenciosa e, também, mais triste.
BLOG- Quantos textos jornalísticos, em média, cada jornalista produzia na época da máquina de escrever?
CIRO- Dependia muito do setor de atuação do redator. Havia rapidez e segurança, sem o problema de a matéria ser deletada ou perdida como pode acontecer na máquina atual. Escreveu, “tava” lá a matéria. Sem nenhum perigo de ser perdida. Em média cada redator podia produzir cinco matérias, bem elaboradas. O meu caso era diferente. Comecei como correspondente no interior de jornais da capital (fazendo tudo), no Ceará, repórter, depois redator e, em Porto Velho, depois de muito tempo, virei “colunista social” atividade que nunca aprendi, mas que nunca larguei. Nem sempre é um trabalho tranqüilo: às vezes meio chato, porque as pessoas querem sempre ser elogiadas, nunca criticadas e acham que o colunista tem a obrigação de participar de tudo, mesmo que não goste e aturar gente chata.
BLOG- Quanto tempo, em média, era necessário para a execução de todas as tarefas realizadas na redação?
CIRO- Depende: o normal é começar cedo e entregar no final da tarde.
BLOG-Em média, quantas horas eram necessárias para a produção de cada edição do jornal (do início do trabalho até o fim da impressão)?
CIRO- O dia todo para no inicio da noite entrar o pessoal da impressão. Antigamente a impressão do Alto Madeira era feita na madrugada.
BLOG- Como eram realizadas as pesquisas antes da chegada da Internet, na redação do jornal Alto Madeira?
CIRO-As pesquisas eram feitas em bibliotecas, quase sempre, com leitura de livros especializados. Também com a leitura de jornais de outros estados.
BLOG- De que forma chegavam às informações nas redações, antes da utilização da Internet?
CIRO- No Alto Madeira na década 70 o jornal recebia as informações nacionais por meio das agências de noticias vinculadas aos Diários Associados, grupo ao qual o jornal pertencia. Via telex.
BLOG- Em média, quantas horas cada jornalista trabalha diariamente antes da instalação do computador na redação do jornal Alto Madeira?
CIRO- Cinco horas era o tempo correto para o trabalho do jornalista, mas esse tempo podia dobrar, de acordo com a necessidade. E naquele tempo havia muito diletantismo. Havia gente que “morava” no jornal. O salário nunca foi grande mas as pessoas trabalhavam como se fossem, também, donas do jornal. Sujar as mãos de tinta fazia parte. Alguns redatores faziam tudo. Revisão, diagramação (manual), copidesque etc.
Depois da chegada do computador na redação.
BLOG- Em que mês e ano começou o processo de informatização da redação do jornal Alto Madeira?
CIRO- Não estou lembrado. Estou em casa. Posso responder depois, no jornal. No final da década 70.
BLOG- Houve resistência por parte dos profissionais, com relação a utilização do computador, nas redações?
CIRO- Não: fizemos um cursinho do Senac e a adaptação foi tranqüila. Mesmo assim continuo digitando com força, rápido, fazendo barulho. Nunca perdi o jeito de datilógrafo.
BLOG- Qual foi o primeiro setor a receber computadores na redação do jornal Alto Madeira?CIRO- Não houve preferência por setor. A redação inteira foi privilegiada. No inicio havia computador para todos.
BLOG- A instalação do computador na redação do jornal Alto Madeira diminui a quantidade de horas necessárias para a execução de todas as tarefas realizadas na redação?
CIRO- No geral, não, não houve redução do trabalho. Em alguns setores, apenas. Na redação, mais ou menos.
BLOG- Os jornalistas, diagramadores e repórteres fotográficos fizeram algum curso na área de informática, antes da utilização do computador?
CIRO- Os redatores, repórteres e também diagramadores, sim. Mesmo assim, durante muito tempo, ainda continuou a diagramação manual.
BLOG- Quais as vantagens e desvantagens percebidas após a instalação de computadores na redação do jornal Alto Madeira?
CIRO- Vantagens, muitas. Entre elas a questão do arquivo com reedição sem problemas. Desvantagens: o perigo de uma pane ou vírus no computador e perder tudo.
BLOG- Pode-se dizer que o computador revolucionou o processo de produção na redação do jornal e trabalho do jornalista?
CIRO- Claro. E continua revolucionado porque a cada dia surgem novidades. Com o computador tudo ficou mais fácil,
BLOG-Quanto tempo depois do início da informatização, a Internet passou a ser utilizada na redação do jornal Alto Madeira?
CIRO- No AM a “descoberta” da Internet veio logo. Não por todos do jornal, mas aos poucos o pessoal foi passando a utilizar o serviço e sentido a necessidade.
BLOG- Quanto tempo, em média, foi necessário para você se adaptar a utilização do computador, na produção de textos jornalísticos?
CIRO-Não digo imediatamente, mas não durou muito tempo. Fui descobrindo cada coisa e ainda hoje continuo “achando” novidades.
BLOG- Com relação ao ambiente de trabalho (a redação), o que mudou com a chegada do computador?
CIRO- Não sou saudosista, mas gostava mais dos velhos tempos. As dificuldades estimulavam.
BLOG- Qual a principal dificuldade após a retirada da máquina de escrever da redação do jornal Alto Madeira?
CIRO- Não houve, com exceção do diretor do jornal (87 anos) que continua com sua maquina Olivetti, produzindo suas matérias diariamente. Não houve jeito de adaptação.
BLOG- Com a chegada do computador na redação do jornal Alto Madeira ocorreu uma redução na jornada de trabalho dos jornalistas?
CIRO- Sim. Aprontou a tarefa, pode ir pra casa. .
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